Interpelámos o presidente Guimino, para uma conversa, em jeito de balanço do tempo em que está à frente da autarquia.
“Diário de Moçambique” (“DM”) – A cinco meses do fim do mandato, acha que cumpriu ou ainda vai cumprir o programa prometido?
Benedito Eduardo Guimino (BEG) – Olhando para aquilo que é o manifesto eleitoral, está a um nível de comprimento acima de 95 por cento; isto quer dizer que praticamente todas as actividades previstas no manifesto eleitoral já foram realizadas. Neste momento, deve estar a faltar apenas uma actividade que também já iniciou. Portanto, para dizer que estamos mesmo perto dos 100 por cento da realização. Sobre o nosso plano quinquenal, lançámos agora diferentes concursos para diversas obras previstas para este ano que, certamente, vão terminar a tempo. Para dizer que não vai restar nada por fazer, dentro daquilo que foi proposto. Até lá estaremos no nível de comprimento a 100 por cento. O que foi escrito, tem que ser cumprido. A grande actividade que havia restado no cumprimento do manifesto, era a revitalização das feiras municipais, mas isto já está a acontecer. Temos feito feiras de cultura e da agricultura.
“DM” – Então, quer dizer que quando terminar o mandato, dirá: missão cumprida?
BEG – Eu acho que sim, porque olhando para aquilo que é o rol das actividades realizadas e aquilo que é a ansiedade dos munícipes na altura em que fui eleito, acredito que quando chegarmos ao fim, já terei cumprido com aquelas promessas feitas; então será missão cumprida.
“DM” – Quando anda, sente que os munícipes estão tranquilos?
BEG – Sim. Sinto isto porque eles entendem que aquilo que o Conselho Municipal não está a fazer é mesmo por causa dos limites orçamentais, não tem nada a ver com a preguiça ou falta de interesse na resolução desses problemas. Isto para dizer que nós procuramos trabalhar no sentido de transmitir confiança aos nossos munícipes. Eu acredito que conseguimos ganhar esta batalha. Quando andamos pelos bairros e olhamos para aquilo que fizemos, os munícipes estão a responder positivamente. Por esse motivo, digo mesmo que conseguimos.
MAIS SALAS DE AULA
“DM” – Mas que obras são essas?
BEG – Estamos a realizar várias actividades na área da educação, nomeadamente, a construção de novas salas de aula, aquisição de novas carteiras. Devo dizer que é com muita alegria que conseguimos colocar em todas as escolas da cidade de Inhambane, pelo menos, um bloco de sala de aulas construído com material convencional. Penso que este é um grande passo para que nos próximos anos possamos lutar para acabar com as salas de construção precária. Também vamos adquirindo mobiliário escolar que estamos a alocar nas escolas. Nos próximos anos, a nossa meta é ver todas as crianças sentadas nas carteiras.
EMPRESA DE TRANSPORTE
FUNCIONA DESDE ABRIL
“DM” – O município já tem autocarros operacionais. Com quantas unidades a empresa municipal opera?
BEG – Este é um aspecto importante que faz parte do rol das nossas actividades. A partir de Abril findo passamos a contar com a nossa empresa municipal de transportes e sentimos que a mesma vem responder à preocupação dos munícipes. Desde que começámos a operar, os munícipes já sabem a que horas podem apanhar o autocarro. Portanto, para dizer que veio mesmo a calhar. O importante neste momento é mantermos esta rotina, enquanto procuramos operar em mais rotas para ajudar os munícipes e outros concidadãos que visitam a cidade de Inhambane. Quando nós recebemos a empresa não havia nenhum autocarro. Mas, rapidamente, recuperámos um, o tal que já está a circular e, brevemente, vamos recuperar o segundo, com a perspectiva de nos serem alocados mais dois autocarros a nível central. Depois de isto acontecer, penso que teremos uma frota razoável para fazer face às necessidades de transporte dos nossos munícipes.
“DM” – Um dos maiores problemas com que os munícipes se debatiam era a falta de electricidade. Até que nível está a expansão da rede de energia eléctrica?
BEG – Ainda temos grandes desafios, não obstante temos feito algo visível. Portanto, temos ainda dois bairros que não têm energia e há alguns quarteirões em muitos bairros que também continuam sem este serviço. Neste momento, a nossa grande aposta é continuarmos a electrificar todos os bairros.
Para já, encomendámos seis PT que vão permitir o alargamento da rede eléctrica para os bairros Guitambatuno, Muelé-3, Chamane, Siquiriva, na zona de Mahila, Josina Machel, nos quarterões-5 e 6, e Nhamua, no quarteirão-A. Esta é uma actividade em curso. Mas o projecto deve continuar.
Estamos a trabalhar, igual e arduamente na urbanização, sobretudo na abertura de novas vias de acesso e na pavimentação de outras que já existem. Este ano vamos pavimentar um total de 1,6 quilómetros, com fundos do município, e vamos iniciar um outro projecto de cinco quilómetros, ligando o cruzamento de Babalaza, no bairro Josina Machel, a Barra Lodge, em Conguiana, e a cidade de Inhambane.
Temos ainda algumas ruas da cidade que vão beneficiar da colocação de pavês. São os casos das ruas da Pescom, para o projecto das Latrinas Melhoradas, num troço de 300 metros; Mercado Giló, até Matadouro, num troço de 800 metros; vamos fazer 200 metros da Escola de Condução Luz Verde até ao cruzamento da rua do Matadouro; temos 300 metros na zona de expansão de Muelé-3.
“DM”– Os grandes desafios sãos as novas vias de acesso?
BEG – Exactamente, estamos conscientes disso, mas o nosso objectivo é concluir com estas obras. Temos, por exemplo, a abertura de dez novas vias de acesso, no bairro Malembuane. Vamos abrir igualmente a via de acesso para a Escola de Machar, bem como outras nos bairros de Liberdade, Muelé-3, Chamane, Nhamua, etc.
Portanto, é irreversível o processo de urbanização que nós iniciamos. Recentemente adquirimos duas máquinas, uma retroescavadora para abertura das vias de acesso e outra de produção de pavês, que vão ser colocadas nas mesmas vias.
Construímos cinco centros de corte e costura em Nhamua, Josina Machel, Chamane, Marrambone e Malembuane, nos quais, as mulheres e jovens aprendem a coser roupas.
URBANIZAÇÃO
COM MAIS RECEITAS
“DM” – Qual é o nível de recolha de receitas do município?
BEG – Olhando para aquilo que são as nossas próprias receitas, penso que estamos no bom caminho, porque com o fundo que nos é atribuído ao nível central conseguimos executar tudo o que planificamos.
É verdade que estamos longe do que seria ideal, que era sermos financeiramente autónomos. A cobertura interna ronda os 43 por cento e a maior fatia, que é 57 por cento, cobrimos com os fundos das autoridades centrais. Um dos nossos maiores desafios é procurar cada vez mais capitalizar aquelas fontes de receita que ainda não tinham sido abrangidas.
“DM”– Neste momento, quais são as grandes fontes de receita?
BEG – Na cidade de Inhambane a fatia maior das receitas provém das taxas da urbanização, nomeadamente, a atribuição de DUAT, pagamento de fóruns anuais e as licenças. Mas o pagamento dos DUAT é que contribui com a maior percentagem, seguindo-se-lhes o sector do turismo, mercados e por aí adiante.
“DM”– Está com olhos na continuidade ou já chega?
BEG – Eu penso que o que mais interessa é a vontade da maioria. Se ela quiser que eu renove o mandato, e se esta for também o plano do meu partido, não vejo nenhum problema em servir o povo.
Temos que trabalhar para o bem da maioria, mas também se não houver essa vontade, não podemos ficar agarrados ao poder, sabendo que são muito poucos os que estariam a apoiar o nosso trabalho.
Não se pode forçar nada. Temos que fazer com que as coisas aconteçam naturalmente. Se a maioria pretende que agente continue a prestar o nosso contributo, é claro que vamos continuar.